segunda-feira, 4 de maio de 2009

Desenhar o Brad Pitt na parte branca

Uma vez li numa revista, acho que foi na Elle ou qualquer coisa desse género, numa dessas crónicas de senhoras já entradotas mas que não perdem o estilo, que crescer era perder a esperança que um dia o Brad Pitt nos ligasse a convidar para sair. E aquilo soou-me profundamente sincero e revelador da condição humana. Deprimente, portanto.
Na verdade a senhora pôs em palavras o que me anda a infernizar de há uns tempos para cá. Antigamente, a minha vida era uma insignificância, um ponto numa folha em branco que eu fazia questão de pintar e preencher à vontade do freguês. Quando viajava horas colada ao vidro do banco de trás do carro do meu pai, ou quando atravessava o largo para a escola secundária, às vezes deitada na cama, imaginava tudo o que me poderia acontecer, literalmente tudo, coisas boas, coisas más (Mãe, isto explica aquelas caras estranhas que eu às vezes fazia). Era feliz com esse vazio que moldava tipo plasticina. À medida que o tempo passa vou tendo menos vazio para brincar. A minha vida torna-se um ponto cada vez maior (no fundo um embroglio de riscos) e assim não posso desenhar na parte branca. Ainda tenho a parte branca grande, mas ela está a diminuir. E isso deixa-me frustrada. E esta merda é que é crescer.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Faço 20 anos e chove a potes. Podia o meu estado de espirito ser mais literário?

terça-feira, 24 de março de 2009

Conversas interceptadas (não por mim) ou Como a moral feminina portuguesa sofre com complexos de inferioridade

"Eu não fiquei chateada por ele me ter atirado o soutien à cara. Fiquei chateada por ele ter aparecido na minha casa às 3 da manhã, a tratar o meu pai por tu. Quer dizer, olha o respeito!"

segunda-feira, 16 de março de 2009

Porque é que só agora é que soube disto?

Acho que passei a segunda quinzena de fevereiro afastada da vida real. Andrew Bird, Bon Iver, Cat Power, Feist e Ben Gibbard, Yeasayer etc etc etc..

terça-feira, 3 de março de 2009

Para ler em todos os inícios de semestre. Com voz irritantemente irónica.

«A vulgaridade é um lar. O quotidiano é materno. Depois de uma larga incursão larga na grande poesia, aos montes da aspiração sublime, aos penhascos do transcendente e do oculto, sabe melhor que bem, sabe a tudo quanto é quente na vida, regressar à estalagem onde riem os parvos felizes, beber com eles, parvo também, como Deus nos fez, contente do universo que nos foi dado e deixando o mais aos que trepam montanhas para não fazer nada lá no alto.»
Bernardo Soares


Soava muito mal se dissesse que preferia estar a trepar?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Gui, a deportada.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

mum vs lois


Sempre achei muita piada a Malcolm in the Middle. Quando comecei a falar com as pessoas sobre o assunto, apercebi-me que se calhar achava mais piada à serie do que de facto ela teria. Eu nunca fui muito de me rir, e dava por mim a gargalhar que nem uma parva. Aliás, bastava o Dewey aparecer e eu escancalhava-me. Comecei a pensar que algo de mais profundo que um simples vicio numa série me ligava àquela familia. A verdade é que eu e o Malcolm somos filhos da mesma mãe. Como é que é possível que eu não me tenha dado conta antes? A ânsia de controlo, a voz da disciplina, aquele amor de mãe, inquestionável, mas que toma a forma de berros a mandar comer o peixe todo. A familia como campo de batalha.
Aproveitando que a série começou de novo na Fox, resolvi arranjar maneira de pôr a minha mãe a ver aquilo. Parecia-me que algo fantástico dali resultaria. Ela rever-se-ia na personagem e compreenderia o rídiculo da maioria das suas atitudes para comigo. Uma manipulação psicológica perfeita, pensei eu, deixando-a sozinha a ver o episódio para o efeito ser mais profundo. Quando voltei, estava a espera desse tal reconhecimento e pedido de desculpa pelo qual anseio há anos. Em vez disso ouvi o quê? "Coitada desta senhora, se tu visses o que os filhos lhe fazem!"

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

John Stezaker -Marriage IV ; 2006
"É preciso que a fotografia diga algo sobre a realidade!"
....You bastards!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A mais recente companhia enquanto tento arrancar com um trabalho de Fotografia que se prevê um desastre. Som amarelo, clarinho, feliz, a fazer lembrar descapotáveis velhinhos a percorrer os prados no Alentejo, a antítese do cinzento, escuro e enfadonho Janeiro, onde realmente só ando no 42, e a chapinhar na àgua.

Migremos,please.