terça-feira, 20 de janeiro de 2009

há 151 dias atrás

Só sei que, algures na rua onde o Freud morou, em Viena, alguém vai mudar de rotina. E poupar uns trocos em papel. E em tinta. E esperamos (todos) que as mudanças não se fiquem por aqui.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A pedidos (telepáticos) sobre a parte musical da viagem a Londres.

Meninas, de notar que aquela lama toda em nada contribui para o medo, pois, pelo cenário em questão, creio não se tratarem de referências a casas de banho em Piccadilly Circus.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Há alturas na vida em que me apercebo do valioso saber e coragem das pessoas mais idosas. Hoje, por exemplo, estou a morrer de inveja de todos aqueles que conseguem usar collants por baixo das calças e continuar a executar movimentos corporais com a maior flexibilidade, tipo subir e descer do autocarro.

domingo, 28 de dezembro de 2008


Este ano fiz 19 anos. Nesse dia comi sushi pela primeira vez. Chique. Mas horrível. Apanhei o 15 e manjei 5 pastéis de Belém de enfiada.

Este ano ainda gastei mais dinheiro em roupa que nos outros anos. Como a maior parte das pessoas desprezíveis e invejosas também olhei para os que foram ao concerto da Amy Winehouse com aquela cara “eu-bem-avisei”.
Estudei que nem uma camela. Engasguei-me no almoço de Páscoa quando o meu pai me perguntou se eu conhecia os Vampire Weekend. Ele também se mostrou incomodado por eu ir ver o Bob. Também me ri bastante daquelas bailarinas vindas directamente da Passerelle para a Torre VIP do Oeiras Alive.

Um dia resolvi mexer o café com Kit Kat. O meu namorado odiou. As minhas amigas aderiram. Foi o inicio de uma nova e grande amizade. Uma noite bebi um mojito e percebi porque é a bebida preferida pelos mortos do CSI Miami (até imaginei a medica legista a tirar-me folhas de hortelã do estômago).

Este verão, quando vi um casal num barco em pleno rio em Praga, descobri que afinal, andar de gaivota não é coisa de crianças. Vi o eclipse da lua na praia em Nice. Andei na Roda Gigante mais antiga do mundo. Participei num workshop sobre como fazer o melhor appelstrudel do mundo. Este ano estudei que nem uma camela. Comi que nem uma égua. Fumei que nem um macaco. Bebi que nem um elefante.

Ainda bem que não tenho memória de peixe.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


“(1) Never give anything away for nothing.

(2) Never give more than you have to give (always catch the buyer hungry and always make him wait).

(3) Always take everything back if you possibly can.”

William Burroughs


Estive quase para lhe desenhar uma boina de Pai Natal no Paint.

Devido a certas e determinadas circunstâncias académicas, vou ter que passar o Natal com os junkies.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Quase 10 anos depois de Flat Beat, o boneco amarelo está de volta e em grande. O último a ouvir Positif sem abanar a cabeça é ovo podre!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Não que não goste da época. Até acho piada às luzes, às músicas, às filas na FNAC e às rabanadas, mas a figura dos três fantasmas de Dickens cresce de ano para ano. Pus-me a pensar onde é que as minhas aparições me levariam.
Tenho a certeza que o fantasma do passado me mostraria o Natal em que recebi a Cama Dossel da Barbie, porque só voltei a pular tanto quando comecei a ir a concertos. Acho que já não acreditava no Pai Natal (nem sei se alguma vez acreditei) mas ainda punha o sapato na chaminé, os adultos achavam engraçado e eu adorava ser o centro das atenções. O fantasma do presente, arrisco, ia levar-me ao novo centro comercial das Caldas da Rainha. Estive lá a semana passada e garanto-vos, estava presente o verdadeiro espírito natalício, o amor e unidade das famílias contemporâneas, com muito chapéu-de-chuva a atrapalhar a multidão e avós e netas a comprarem na Bershka.
O fantasma do futuro ia mostrar-me uma senhora de meia idade obesa com nódoas de Ferrero Rocher na blusa, afirmo-o convictamente.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008


"There is no progress in art, any more than there is progress in making love. There are simply different ways of doing it." Man Ray

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

"Troubled Times for Tacheles"


"(...) No construction has begun, but the halcyon days for Tacheles seem to be approaching their end. Fundus announced it would not renew the artists' lease when it expires at the end of 2008. At first glance, in fact, it looks like a typical Berlin storyline: dreamy squatters pitted against ruthless investors.
But all is not as it seems at Tacheles. The building is under receivership, and the future of the squat is uncertain (...)"


Agosto de 2007. Estavamos num bar, numa daquelas noites "vamos-sair-para-não-gastar-dinheiro-num-hostel" e lembro-me que a coisa não estava propriamente divertida, com muito sono à mistura. Eis que a t-shirt da Antena 3 chama a atenção de um português sentado na mesa ao lado (Há sempre um português). Conversa puxa conversa, o rapaz, cujo nome não me recordo, disse que nos ia levar a um sitio muito giro da noite berlinense. Eu, de todos a que tinha ingerido menos cerveja, pensei para mim mesma, "é nesta parte que entram os becos escuros, as tesouras, e o acordar no dia seguinte sem um rim numa banheira com gelo...", mas fomos. Aquilo tinha mau aspecto, e quando percebi que ele nos queria levar para dentro de um edifício que me parecia em ruinas, ja pensava em despedir-me dos meus orgãos. Enganei-me, e vi-me no sitio mais 'estrangeiro' em que alguma vez tinha estado. Lembro-me o quanto aquele ambiente aguçou o nosso lado sonhador, e as discussões sobre se um local destes poderia singrar em Portugal prolongaram-se noite toda na esplanadinha do Zapata. Claro que, quando recordo isto, estou a abrilhantá-lo com o meu lado mais nostálgico, mas na altura sentimo-nos felizes, ansiosos por lá voltar, tudo aquilo nos parecia tao cool e underground que tinha aura de segredo (afinal, para nós e outras 300.000 pessoas por ano).

No ano seguinte, voltámos a Berlim e logo nessa noite fomos directos para lá. Já planeei a minha próxima visita à cidade, e o Tacheles parecia-me posto obrigatório. Pelos vistos está em risco de fechar. É triste. E eu que ainda nem sei pronunciar bem o nome daquilo.
Para saber mais http://www.tacheles.de/

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Richard Estes, Telephone Booths ,1967

O mundo é cada vez mais assim: terrivelmente transparente, inevitavelmente complicado. Pra mim. É chato.