quarta-feira, 1 de julho de 2009

O filme da Mané

Estou bastante confusa, eu sei que tinha prometido decorar a coreografia do Thriller e dança-la na esplanada da faculdade... Por outro lado todas aquelas cadeiras davam também um bom tributo ao Café Müller... E agora?

terça-feira, 16 de junho de 2009

confissões I

Odeio escrever.
Escrever é para mim tentar pôr os meus óculos a alguém, sabendo de antemão que todos usamos graduações diferentes.
Cada vez que começo a escrever, a minha auto-imagem é a de uma mosca a tentar passar pelo vidro. Tem tanto de estúpido como de triste.
E principalmente odeio saber que nunca vou conseguir deixar de escrever.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

"Vivemos duas vidas - uma com os olhos abertos e uma com os olhos fechados. Com os olhos abertos percebemos o nosso universo exterior. Com os olhos fechados exploramos o cosmos interior. Passo o dia todo com os olhos fechados a tropeçar em pessoas e coisas. É por isso que ja não guio."
Federico Fellini , Sou um Grande Mentiroso

terça-feira, 9 de junho de 2009

A precisar de férias...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pesadelo I

Se há sitio onde não consigo evitar o absorver-me em pensamentos absurdos, esse sitio é a praia. As pessoas normais jogam a variadissimas coisas com bolas e raquetes, eu sou demasiado flácida para isso. Há ainda quem leia avidamente não se importando com a sombra que o livro faz sobre si, impedindo o tão valoroso bronze, eu sou demasiado fútil para isso. Outra actividade por mim muito apreciada é o mergulho no mar, mas parece haver sempre algo disposto a impedi-lo. Durante muitos anos foi a minha mãe e a conversa da digestão da bolacha que tinha comido há 3 horas, agora, que já me emancipei gástricamente, perdi a imunidade ao frio e não percebo como é que os putos entram na agua gelada e ficam la horas. Portanto, a partir dos 12 anos, que foi quando deixei de ter tamanho para brincar com pás e baldes sem ser olhada de lado, costumo olhar para o mar e pensar.

Já varias vezes que imagino esta história. Que é um pesadelo.

Uma conversa entre amigos que estão na praia.
1-Comprei uma camisola azul
2- Deve ser gira, mas é mais ou menos de que azul?
1- Opa, azul azul. Assim meio escuro, forte.
2- Isto das cores é uma cena tramada, não sei se estamos a falar da mesma cor.
1-Parecido com o simbolo da camy, lembras-te?
2- Tou a tentar visualizar..
1- Olha tal e qual o azul ali do mar (e aponta)
2- Aaah! Da cor dos meus cortinados então..
1- Sim, exactamente.
2- Ah! é gira então...
E depois vê-se pelo olho do 1, (o cinema e as camaras subjectivas..) e ele afinal vê o mar amarelo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Desenhar o Brad Pitt na parte branca

Uma vez li numa revista, acho que foi na Elle ou qualquer coisa desse género, numa dessas crónicas de senhoras já entradotas mas que não perdem o estilo, que crescer era perder a esperança que um dia o Brad Pitt nos ligasse a convidar para sair. E aquilo soou-me profundamente sincero e revelador da condição humana. Deprimente, portanto.
Na verdade a senhora pôs em palavras o que me anda a infernizar de há uns tempos para cá. Antigamente, a minha vida era uma insignificância, um ponto numa folha em branco que eu fazia questão de pintar e preencher à vontade do freguês. Quando viajava horas colada ao vidro do banco de trás do carro do meu pai, ou quando atravessava o largo para a escola secundária, às vezes deitada na cama, imaginava tudo o que me poderia acontecer, literalmente tudo, coisas boas, coisas más (Mãe, isto explica aquelas caras estranhas que eu às vezes fazia). Era feliz com esse vazio que moldava tipo plasticina. À medida que o tempo passa vou tendo menos vazio para brincar. A minha vida torna-se um ponto cada vez maior (no fundo um embroglio de riscos) e assim não posso desenhar na parte branca. Ainda tenho a parte branca grande, mas ela está a diminuir. E isso deixa-me frustrada. E esta merda é que é crescer.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Faço 20 anos e chove a potes. Podia o meu estado de espirito ser mais literário?

terça-feira, 24 de março de 2009

Conversas interceptadas (não por mim) ou Como a moral feminina portuguesa sofre com complexos de inferioridade

"Eu não fiquei chateada por ele me ter atirado o soutien à cara. Fiquei chateada por ele ter aparecido na minha casa às 3 da manhã, a tratar o meu pai por tu. Quer dizer, olha o respeito!"

segunda-feira, 16 de março de 2009

Porque é que só agora é que soube disto?

Acho que passei a segunda quinzena de fevereiro afastada da vida real. Andrew Bird, Bon Iver, Cat Power, Feist e Ben Gibbard, Yeasayer etc etc etc..

terça-feira, 3 de março de 2009

Para ler em todos os inícios de semestre. Com voz irritantemente irónica.

«A vulgaridade é um lar. O quotidiano é materno. Depois de uma larga incursão larga na grande poesia, aos montes da aspiração sublime, aos penhascos do transcendente e do oculto, sabe melhor que bem, sabe a tudo quanto é quente na vida, regressar à estalagem onde riem os parvos felizes, beber com eles, parvo também, como Deus nos fez, contente do universo que nos foi dado e deixando o mais aos que trepam montanhas para não fazer nada lá no alto.»
Bernardo Soares


Soava muito mal se dissesse que preferia estar a trepar?